Empresas com históricos de conquistas anteriores atravessaram o conturbado 2009 com bons resultados e obtiveram o prêmio Maiores e Melhores do Transporte e Logística como recompensa.
Num ano como 2009, de extrema cautela, fruto da crise financeira eclodida nos Estados Unidos em 2008 e que pipocou pelo resto do mundo, as empresas que se sobressaíram foram aquelas com algum lastro. É verdade. Das dez melhores em cada setor, seis já haviam sido campeãs em anos anteriores.
Algumas como a Transpetro, o braço de transporte da Petrobrás, e a Viação Urbana de Fortaleza, a capital Cearense, com o título amealhado em 2009 somaram, respectivamente, a sétima e a sexta conquistas consecutivas.
Outra empresa eleita melhor em seu setor, a Tegma Gestão Logística, conquistou o prêmio pela quarta vez, fruto de uma gestão baseada em extremo cuidado com a eficiência. Nessa linha, a empresa cresceu sem desgrudar o olho dos custos.
Com sede em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, berço da indústria automobilística, a Tegma somou 73 pontos na avaliação das demonstrações financeiras. Dos nove quesitos analisados, em três deles ganhou a pontuação máxima.
A Viação Urbana, do setor metropolitano de passageiros, com três notas máximas, também atribui o sucesso ao conjunto de boas práticas de gestão. Nesse aspecto, conta muito com a visão compartilhada das operadoras que compõem o sistema de Fortaleza: “Há três anos implantamos o consórcio operacional que, temos certeza, foi uma boa iniciativa, tanto no ponto de vista das empresas como órgão gestor. Nossa luta é para racionalizar o sistema, estudando os melhores itinerários, a atratividade da linha e os anseios da população usuária”, diz Gustavo Porto, diretor executivo da Viação Urbana.
Outras empresas eleitas melhores em suas atividades, Transporte e Turismo Real Brasil, companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e Unicargo Transportes e Cargas, conquistaram o bicampeonato. A Unicargo teve uma vantagem, foi também a melhor entre as melhores do transporte.
Quatro vencedores de 2009 estrearam ou voltaram a conquistar a posição de mais bem avaliada empresa em seu setor. Das estreantes cabe um destaque à Auto Viação 1001, fundada e comprada em 1968 pelo empreendedor Jelson da Costa Antunes, criador do Grupo JCA, com sede em Niterói, no Rio de Janeiro.
Interessante é que a 1001, uma das mais bem administradas operadoras rodoviárias de passageiros do País, interrompeu a trajetória de cinco vitórias consecutivas conquistada pela Viação Cometa entre 2004 e 2008. A Cometa desde 2001 pertence ao conglomerado JCA.
Nos 23 anos de melhores do transporte, aliás, a Viação Cometa, fundada pelo Major Tito Mascioli, é a empresa que mais conquistou títulos. Venceu 12 vezes.
A segunda operadora com mais prêmios, com nove troféus de melhor, é a Empresa Gontijo de Transportes, fundada pelo mineiro Abílio Gontijo, homenageado na galeria de Pioneiros do Transporte (ver Maiores e Melhores número 22).
A terceira colocada em número de troféus, oito, foi a Rio Sul, empresa fora de operação e que pertencia ao grupo Varig.
Em operação desde 2001 a criada pela família Constantino, a Gol Linhas Aéreas, tem seis títulos de melhor empresa.
Em expansão acelerada
A Unicargo que atua no setor de transporte aéreo e rodoviário, espera crescer até 40 % em 2010, com uma estratégia de diversificação de mercados e serviços especiais.
A Unicargo Transportes e Cargas foi considerada a melhor entre as Melhores Empresas do transporte e Logística em 2010 – além de ser escolhida a melhor da sua categoria de empresa de transporte aéreo de carga, pela segunda vez consecutiva.
Em 2009, enquanto muitas empresas sofriam a crise econômica, a Unicargo registrava 33% de crescimento, em relação a 2008; neste ano, a empresa deve crescer de 35% a 40 % (em faturamento e volume de carga), com relação ao ano interior. Resultados tão expressivos são fruto de uma estratégia que deu certo: busca de novos nichos de mercado e serviços “customizados” de acordo com a necessidade de clientes.
Uma das maiores dificuldades que as empresas de transporte aéreo enfrentam é a falta de infraestrutura nos aeroportos. “Temos visto reformas no setor dos passageiros, mas de cargas aéreas não foram expandidas. Aqui em São Paulo, no Aeroporto de Guarulhos, ainda são utilizados terminais de lona (tendas) para as cargas. Em todo o país encontramos esse problema, e em algumas áreas, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a situação é ainda pior”, alerta.
A falta de aviões cargueiros também dificulta a atuação das empresas do setor. Para contornar esse problema, a Unicargo passou a oferecer um serviço especial de realocação de carga para o caso do material precisar ser transportado na área de cargas dos aviões de passageiros. “O cliente pode deixar a mercadoria em paletes, como se fosse para um avião cargueiro, pois a nossa equipe irá realocar a carga de forma que ela possa ser acomodada em outro avião”, explica.
Estratégias – Para 2011, a Unicargo pretende fortalecer os mercados em que já atua. “Não temos planos de mudança de segmentos, vamos continuar a operar nos setores em que estamos tendo um bom retorno. A estratégia continua a mesma: fazer com que o cliente não precise se preocupar com atividades que não são parte realmente do seu negócio, como transporte e logística, deixando-o livre para atuar em seu core businesss”, diz Soares.